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Negros são minoria nas grandes empresas
Pesquisa feita nas maiores companhias do Brasil mostra que pretos e pardos são 3% dos diretores e 26% dos subordinados

Texto enviando para a lista da Rede do 3° Setor em 20/04/2006, selecionado pelo BSAG.
http://br.groups.yahoo.com/group/3setor


TALITA BEDINELLI
da PrimaPagina

Os negros são minoria em todas os níveis do quadro de funcionários das maiores empresas do Brasil, e sua presença diminui quanto maior for a posição na hierarquia, aponta uma pesquisa realizada pelo Instituto Ethos e pelo IBOPE Opinião, lançada nesta terça-feira, em São Paulo. Embora formem 46% da população brasileira economicamente ativa, pessoas de cor preta ou parda são apenas 3,4% dos funcionários em cargos executivos, 9% dos gerentes, 13,5% dos supervisores e 26,4% no restante das ocupações, mostra o estudo. Os dados, coletados no ano passado, abrangem uma amostra de 119 das 500 companhias de maior faturamento no país. O levantamento demonstra que houve pouca mudança nos últimos anos. No topo das empresas, os negros eram 2,6% em 2001 e 1,8% em 2003.

“A oscilação no quadro da diretoria não permite concluir que haja, como é desejável, uma tendência de crescimento no topo da escala”, afirma o relatório, intitulado Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e suas Ações Afirmativas. Para os outros níveis hierárquicos há apenas dados de 2003 e 2005. A tendência é a mesma: pequena oscilação. Entre os gerentes, os pretos e pardos eram 8,8% em 2003 e 9% no ano passado. Entre os supervisores, a porcentagem ficou estagnada em 13,5%. A mudança foi um pouco mais expressiva entre os cargos que não são de chefia: de 23,4% para 26,4%.

As mulheres viram uma dupla tendência: a participação delas no alto escalão das grandes empresas aumentou, mas no restante, caiu. Elas ocupavam 6% dos cargos de diretoria em 2001, 9% em 2003 e 10,6% em 2005. Na gerência, eram 18% em 2003 e 31% em 2005. Mas na supervisão as mulheres ficavam com 28% das vagas em 2003 e 27% em 2005; entre os funcionários de outros cargos, elas eram 35% em 2003 e 32,6% em 2005. Os portadores de deficiência só são em menor proporção na gerência (0,4%, contra 3,7% em 2003). Estagnaram na diretoria (1%), mas ganharam participação entre os supervisores (de 1,6% para 4,7%) e, sobretudo, no restante do quadro funcional (de 3,5% para 13,6%, porcentagem quase equivalente à de população brasileira nessa condição — 14,5%).

Os projetos e campanhas desenvolvidos dentro das empresas em prol das mulheres e dos portadores de deficiência foram essenciais para o crescimento da inserção dos dois grupos no mercado de trabalho, afirma o diretor-executivo do Instituto Ethos, Paulo Itacarambi. De acordo com ele, essas ações não foram numerosas em benefício dos negros pois existe “um medo de abordar o assunto”. “É uma questão cultural. Percebe-se que as empresas estão agindo em relação a isso, mas com muita dificuldade. As empresas nem levantam informações sobre raça, com medo de parecerem discriminatórias”, diz.

O “Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas” foi desenvolvido em parceria com a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a OIT (Organização Internacional do Trabalho) e o UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher). Participaram do estudo 1.906 executivos, 27.762 gerentes, 37.098 supervisores e 559.408 funcionários de outras posições hierárquicas. Os dados do levantamento anterior do Instituto Ethos foram usados no Relatório de Desenvolvimento Humano Brasil 2005 — Racismo, pobreza e violência, divulgado pelo PNUD em novembro do ano passado.

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