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Terrorismo
Cultural & Atentado Poético
Memorando de Ipatinga
Ipatinga, 09 de setembro de 2007
De: Artistas da dança sofrendo e/ ou se divertindo
no Enartci
Para: Todo mundo se divertindo e/ ou sofrendo no resto
do Brasil
Estamos aqui para desenvolver variações
em torno do tema "Corpo e barbárie" (independente
da tradução que alguém faça
de "corpo" e "barbárie"). Entre
espetáculos, conversas, passeios de trem pela Ipatinga
que turistas, empresários e governos não
vêem, chegamos ao inevitável debate sobre
políticas públicas. Para a cultura ou para
além da cultura.
Passamos, como sempre, por questões como:
-Leis de incentivo, alternativas a elas, ou a falta de
alternativas.
-Patrocinadores, ou a maneira como nossas publicações,
imagens e paredes de teatros estão cada vez mais
poluídas com logomarcas.
-Nossa postura no meio deste debate, sempre cheia de desejos
e frustrações, mas com menos sugestões
ou proposições do que seria eficiente.
-Urgência da implantação de medidas
que estimulem a diversidade cultural, aqui entendida não
apenas como uma diversidade de projetos ou idéias,
mas de modos de criar, produzir, expressar.
-Dificuldade em agir por um bem comum quando o núcleo
atual da estrutura de produção gira em torno
de elaborar projetos, inscrever-se em editais, captar
recursos – ou seja, atividades que premiam o individualismo
e o isolamento, e inibem o surgimento de ações
políticas coletivas.
Tendo isso em vista, propomos (convocamos, atentamos,
sugerimos, clamamos e exclamamos):
- Circulação de sugestões, propostas,
posicionamento afirmativo sobre como devem ser as políticas
culturais. Ninguém tem a obrigação
de nos salvar, de modo que nenhuma proposta de política
pública será legítima e suficiente
se não partir de nós.
- Implantação de processos que conduzam
a um treinamento político-poético-ideológico,
centrado em temas como - mas não somente - formas
de organização, estratégias de comunicação
com públicos (gente comum, mídia, comunidades
específicas, capital, governantes etc.), estruturas
de ação direta (intervenção,
mobilização, terrorismo cultural e atentados
poéticos), que nos dêem condições
materiais e objetivas de encontrar as formas de nossa
militância neste novo século.
-Determinação de objetivos, já que
é necessário discutir – sempre –
por que dinheiro de contribuintes deve ser aplicado neste
programa ou naquele projeto. É inadmissível
a postura dos grupos e artistas que, ao receberem recursos
públicos, retiram-se do debate sobre as políticas,
ou da pressão sobre os poderes.
-Estímulo aos programas que propiciem o encontro
e a diversidade, e às estruturas de fomento, que
sejam constantes e que não se abalem com mudanças
governamentais.
-Uma nação com cultura continuada adoece
menos e faz melhor suas escolhas.
No mais,
Aguardamos as notícias de vocês,
E pretendemos continuar a martelar a cabeça e a
caixa postal de vocês com as nossas notícias.
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