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Museu Afro Brasil

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.


Carlos Drummond de Andrade

O Museu Afro Brasil tem como dia significativo para sua existência o dia 23 de outubro de 2004, dia de sua inauguração. Nesse próximo dia 23 de outubro de 2006 celebramos 2 anos de vida dessa muito jovem instituição, que pretende ser um centro de atividades ligadas à memória, a arte e ancestralidade dos povos da África e de seus descendentes no Brasil.

Diferentemente do que a História tem narrado, entendemos que por aqui vieram não só africanos escravizados, para produzir riquezas dos muitos períodos da nossa História, mas que se transformaram em colonizadores e formadores da identidade nacional brasileira.
Tenho o prazer de convidá-lo/a para um encontro em que possamos discutir o verdadeiro papel do negro e dos afro-descendentes na sociedade brasileira e, assim, discutir também todos os estigmas da nossa exclusão social. Assim temos a esperança de que um dia se escreva a verdadeira e real contribuição dos Negros à História do Brasil.

Emanoel Araujo

Diretor Curador
Museu Afro Brasil

Mesa A importância do Museu Afro Brasil para a Sociedade Brasileira
Das 16h00 as 18h30

Informações e confirmações de presença no evento:
Instituto de Políticas Públicas Florestan Fernandes
Jupira Cauhy
jupira@iff.org.br
11 3107-9297

Local:
Teatro Ruth de Souza – Museu Afro Brasil
Parque Ibirapuera, portão 10
São Paulo – SP

O Evento contará com a presença da Ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Abertura da Exposição Viva Cultura Viva do Povo Brasileiro
A partir das 19h

Informações:
Museu Afro Brasil
11 5579-0593
Fátima Pádua
paduadacruz@yahoo.com.br

Museu Afro Brasil: Imagens, Sons e Sentidos de um Novo Tempo
Luiz Carlos dos Santos

Resumo: A presença negra na sociedade brasileira sempre foi escamoteada e/ou tornada exótica na sua dimensão de matriz formadora da brasilidade.

Ser Negro no Brasil é, como já sabemos, uma posição política consciente das questões de raça e classe, principalmente nesses tempos de afirmações ideológicas, em que ser a favor de cotas é, em ultima instância, reeditar a campanha abolicionista ou ainda ameaçar a democracia racial brasileira.

Por isso, a atualidade do Museu Afro Brasil, em São Paulo, é reveladora do que podemos invocar, através do seu acervo, como a matriz africana e o povo dela resultante compõem a imagem, o som e o ser brasileiro.

Pensado de forma dinâmica, o Museu Afro Brasil não é um museu do negro, mas sim um espaço cujos arranjos históricos e museu lógicos evidenciam a profundidade da importância dos negros na constituição do país.

Espaço raro, pensado e dirigido por um negro, evidencia através de seu acervo, a sensibilidade histórica de Emanuel Araujo, responsável pela visão diferente de museu que orienta o Afro Brasil, mas que, no entanto, como a maior parte de iniciativas que contemplam a presença negra em nossa precária democracia racial, encontra-se vez por outra, com a sua existência ameaçada.

Por que isso acontece e como acontece são algumas das questões que pretendemos discutir.




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