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Médicos e pais-de-santo debatem racismo

Texto enviando para a lista da Rede do 3° Setor em 25/04/2007
http://br.groups.yahoo.com/group/3setor

TALITA BEDINELLI
da PrimaPagina

Um programa de combate ao racismo presente nas instituições públicas do Brasil vai, a partir deste ano, voltar-se também para a América Latina. Desenvolvimento desde março de 2005 pelo PNUD e parceiros, o projeto estimulou a criação de políticas de promoção da igualdade racial em municípios como Recife, Salvador, Olinda e Araraquara (SP), e agora pretende identificar as ações desenvolvidas em outros países da região e divulgar as atividades brasileiras que foram bem-sucedidas.

“É importante conhecermos a realidade da população negra de outros países. Alguns desafios para a promoção da igualdade racial são comuns”, afirma Fernanda Lopes, coordenadora do PCRI (Programa de Combate ao Racismo Institucional). “Esse intercâmbio é pouco explorado. Queremos estabelecer esse contato, ter um vínculo maior e identificar potenciais obstáculos e desafios. Com isso, vamos nos fortalecer na construção de uma igualdade racial”, diz.

De acordo com ela, alguns projetos na área já foram identificados em países como Uruguai, Venezuela, Peru e Paraguai. O contato com os países será feito por intermédio das agências da ONU — em especial pelo PNUD e pela OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), também parceira do programa — e pela assessoria internacional da Secretaria Especial de Políticas para Promoção da Igualdade Racial, outra apoiadora. O programa conta ainda com a parceria do Ministério da Saúde, do Ministério Público Federal e do Departamento do Governo Britânico para o Desenvolvimento Internacional.

Após mapear as atividades desenvolvidas na América Latina, o programa planeja disseminar as lições aprendidas nesses quase dois anos de implementação, que incluem capacitações de médicos sobre a saúde da população negra; oficinas de radiofusão comunitária (para mostrar aos radialistas a importância de abordar temas relacionados ao racismo institucional na programação de rádios comunitárias); a identificação da cor de usuários de serviços públicos para a realização de políticas mais adequadas; o fortalecimento do diálogo entre governos e religiões de matrizes africanas; e planos de ação no Ministério Público para garantir o acesso à Justiça para a população negra, em especial para os quilombolas.

A ligação com a América Latina faz parte da segunda etapa do projeto, que visa aumentar a divulgação dos trabalhos desenvolvidos, para que eles possam servir como exemplo para outros interessados da sociedade civil e dos governos. Além de identificar outros países latino-americanos que trabalham em áreas correlatas, o programa quer ainda nesta fase — que começou em outubro de 2006 e deve terminar em abril de 2007 —, aumentar a relação com os veículos de comunicação, produzir material audiovisual que mostre o que é o racismo institucional e fazer materiais mais direcionados aos gestores com informações sobre desigualdade racial.




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