Mãe Zimá:
60 anos de vida 46 de Umbanda
Texto
enviando para a lista Culturas Populares em 19/04/2007
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Zimá Ferreira da Silva (60), ou simplesmente Mãe
Zimá, nasceu no dia 03 de abril de 1947, na cidade
de Fortaleza. Veio de uma família humilde que tem
origem na cidade de Pacatuba, município onde foram
trabalhar a maioria dos negros que no Ceará chegaram.
É filha de Seu Josué, policial militar e
de Dona Consuelo, uma branca católica. Da união
dos dois nasceram 12 filhos.
Aos 13 anos de idade Zimá recebeu seu Orixá
o que causou um choque cultural na família. Sem
compreender direito o que estava acontecendo o destino
põe no caminho de Zimá, Zé Alberto,
considerado um dos maiores umbandista do Brasil, tornando-se
mais tarde seu Pai-de-Santo. Zimá era quase uma
criança quando foi convidada a freqüentar
o terreiro “Rei do Cangaço” de Zé
Alberto. Apesar da pouca idade recebeu a responsabilidade
de preservar a cultura de seus ancestrais.
Ainda muita jovem teve que trabalhar em vários
empregos para garantir o sustento de três filhos:
Roney, Luiz Leno e Ludimila. Mas parece que não
era pra ser assim. Seu lado espiritual sempre falou mais
alto e desde sua adolescência cuidou do lado emocional
e espiritual das pessoas, curando e ajudando a levantar
a baixa estima dos muitos que a procuravam para resolver
problemas de amor, família, negócios. Sempre
disposta a ajudar o próximo, Zimá optou
por uma vida simples. Desprovida de luxo, dos bens materiais,
das futilidades mundanas Zimá torna-se exemplo
para filhos e netos.
Atualmente tem um Terreiro de Umbanda “Ogum Mêjê”,
localizado no bairro São Vicente, onde desenvolve
suas atividades de umbanda e preservação
da memória afro-descendente no Estado do Ceará.
É também Relações Públicas
da Associação de Umbanda do Estado do Ceará.
Zimá no dia 03 de abril completará 61 anos
de vida e 46 de Umbanda.
A herdeira dos Orixás
Nada é por acaso. Mãe Zimá carrega
sua corrente de guia espiritual como herança deixada
pelo avô, o Seu Gastão, um homem que praticava
caridade através de passes, preces e orações
inerentes ao espiritismo cristã. Foi nesse universo
que Zimá cresceu, observando as caridades espirituais
praticadas na casa de seus avós. “Era gente
de todo canto que vinha para receber as orientações
espirituais do Vô Gastão, e eu ficava lá,
quietinha, só observando, aprendendo na verdade.
Então é do Vô Gastão que herdei
toda minha espiritualidade.”
A primeira passagem para Aruanda
Foi ainda na sua adolescência, aos treze anos de
idade que Mãe Zimá fez sua primeira passagem
para Aruanda, ou seja, recebeu seu primeiro Orixá.
Tudo aconteceu de maneira automática, inconsciente.
Certo dia Zimá estava na casa de seu avô
Gastão quando se viu envolvida pela força
dos Orixás. O fato causou um grande estranhamento
na família, sobretudo, para seus pais, católicos
convictos. Aos 16 anos sentiu essa energia mais forte
e aos 20 se encontrou dentro de sua nova religião,
a umbanda. Hoje, Zimá diz que a passagem para Aruanda
se dá de maneira natural. “Eu me concentro
nas matas, nas águas, nos rios, nas cachoeiras
e no espaço. E aí eu dou espaço a
uma outra energia que é a energia dos Orixás
que passam pela minha cabeça e utiliza meu corpo
como instrumento para se comunicarem.”
Filhos e netos raspados no Santo
A Herança espiritual está no sangue e nas
veias dos filhos e netos de Zimá. De geração
em geração o destino entregou a família
de Mãe Zimá a missão de preservar
e cultuar os santos, caboclos, Exus e Orixás. Tanto
os filhos quantos os netos todos têm a cabeça
raspada no Santo. Roney, o filho mais velho, é
do Obaluaê. Luiz Leno , o do meio, é do Oxossi
e a caçula Ludimila é da Oxum. Já
os netos, Évila é do Ogum, Elaine da Yansan
e o mais novo Leon, desde nascença é do
Oxossi.
Andanças pelo mundo
Nascida predestinada a preservar a cultura afro descendente,
através do ritual oracular da Umbanda, Mãe
Zimá conhece quase todo o Brasil e metade do mundo.
São inúmeras as viagens, ora para estudo,
ora para realizar trabalhos e rituais umbandistas, difundindo
assim os conhecimentos de sua religião e aprendendo
outras novas. Zimá já percorreu da Bahia
ao Mato Grosso do Sul, do Rio de Janeiro ao Pará.
Vencendo fronteiras Zimá tem no seu passaporte
registrados carimbos de importantes paises como Bolívia,
França, Itália, Alemanha, Suíça,
Bruxelas, Portugal, Espanha, África e recentemente
Cuba, onde foi estudar os aspectos místicos dos
Vodus.
Centro de Umbanda Ogum Mêjê
Localizado na periferia de Fortaleza, bairro São
Vicente, Mãe Zimá fundou há treze
anos atrás, após a morte de seu pai de santo
Zé Alberto, seu próprio terreiro de umbanda
que leva o nome de um de seus Orixás: Ogum. A construção
do terreiro trouxe grandes benefícios às
ruas que ficam no seu entorno como, por exemplo, aterramento
e saneamento básico. “Quando aqui cheguei
para fundar o Terreiro de Ogum, só era mata, lama
e buraco. Nada mais. Daí, fui conseguindo calçamento,
esgoto, tudo que a comunidade precisava”.
Os Exus de Zimá
Mãe Zimá tem dois Exus. Um é o Exu
do amor, da tranqüilidade, da prosperidade que lhe
segura para muitas coisas. Trata-se do Exu do Rio, o escravo
de seu Orixá Ogum. O outro, pertence ao seu lado
da Quimbanda, dos trabalhos da linha negra, a quimbandeira.
Trata-se do Exu Veludo. Zimá ressalta que nem sempre
os trabalhos da quimbanda é para o mal. “Se
chega um filho me procurando e que tem um determinado
problema que só pode se ser resolvido, só
pode se libertar deste problema através da linha
da quimbanda, então como Mãe que zela e
cuida o Santo do filho, eu tenho mais é que virar
para este lado.”
Trabalhos para o Bem
Zimá enche-se de orgulho ao falar de seu trabalho,
de seus 46 anos de vida dedicados a umbanda. “Enquanto
eu puder segurar um trabalho pela linha certa, a linha
do bem, vou até o fim. Se acaso eu achar que um
trabalho não está indo pela linha certa,
ai eu viro para o outro lado. Mas o que eu gosto mesmo
é de fazer é o bem e a caridade. Eu gosto
de curar, de juntar, de aproximar, de unir, de levantar,
de abrir os caminhos. Só não gosto que pisem
no meu calo seco. E se você é meu filho e
vejo alguém querer lhe derrubar, lhe detonar, pode
ter certeza que eu arrebento este indivíduo. Mãe
de santo já diz tudo: é a zeladora do seu
Orixá. Ela e quem cuida e zela e alimenta o seu
Santo. Eu cuido da vida espiritual dos meus filhos, eu
os defendo com unhas e dentes. Bateu daquele portão
pra dentro e me dar a benção eu considero
meu filho.
O Terreiro de Zimá – livro e documentário
O escritor, produtor cultural e videomaker cearense Clébio
Viriato Ribeiro, desde setembro de 2006 vem estudando,
pesquisando as consultas oracular, os cantares, rezares,
pensares e os rituais praticados no terreiro de Mãe
Zimá para publicar seu segundo romance intitulado
“O Terreiro de Zimá”. Segundo Clébio
“o livro será uma ficção na
linha do realismo fantástico, que vai resgatar
a grande contribuição que Mãe Zimá
vem prestando a preservação da memória
afro descendente em nosso Estado. São 46 anos de
pratica umbandista, isso é cultura, merece um registro”.
Da literatura para a TV. A empresária e videomaker
Lilia Moema juntamente com Clébio começam
a gravar no próximo dia 21 de abril documentário
sobre os 46 anos de vida de Mãe Zimá dedicados
a umbanda no Ceará. O documentário deve
fiar pronto ainda este semestre. Depois de ser exibidos
no Brasil o documentário segue roteiro para Cuba
e Europa.
Mãe Zimá: 60 anos de vida 46 de Umbanda
Dia: 21 de abril de 2007
Horário: a partir das 12:00h
Local: Terreiro Ogum Mêjê - Rua José
Mauricio, 800 – Parque São Vicente
Referência: Vai pela Av. Osório de Paiva,
depois do Terminal do Siqueira. Segue do lado esquerdo
uns 600m até a loja AGROSHOP e entra na primeira
a esquerda. Anda mais uns 300m até o Terreiro Ogum
Mêjê
Maiores Informações:
Clébio Viriato Ribeiro – (85) 8896.2778
clebioviriatoribeiro@yahoo.com.br
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Clébio
Viriato Ribeiro
Articulador Sistema Estadual de Teatro - SET
85 3101 2566 / 8896 2778
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