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anos depois
Vlado
- Trinta anos depois
Texto
enviando para a lista da Rede do 3° Setor em 29/09/2005
http://br.groups.yahoo.com/group/3setor
Claquete
O documentário Vlado - Trinta Anos Depois será
lançado dia 30 de setembro em São Paulo, Brasília,
Belo Horizonte, Porto Alegre e Rio de Janeiro
Em um longa-metragem de 90 minutos, o cineasta João
Batista de Andrade conta a história do jornalista
Vladimir Herzog, assassinado na prisão em 1975, durante
o regime militar. Os depoimentos trazem as lembranças
da viúva, Clarice Herzog, e de pessoas que conviveram
com Vlado.
Agência Carta Maior
Para quem viveu ou mesmo para quem não tem a menor
idéia dos tempos de violência e tensão
da ditadura militar, o filme Vlado - 30 Anos Depois
emociona e traz uma compreensão melhor da nossa história.
O caráter extremamente pessoal e confessional dos
depoimentos do documentário longa-metragem de João
Batista de Andrade revela a história do jornalista
Vladimir Herzog assassinado na prisão em 1975.
O filme entra em cartaz dia 30 de setembro em São
Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre. No
Rio de Janeiro, será exibido a partir do dia 7 de
outubro. Em São Paulo, haverá uma estréia
para convidados neste dia 27 de setembro, com a presença
de várias pessoas que deram depoimentos para o filme.
O drama dos presos, os choques elétricos, os gritos
que vêm das entranhas, o temido
capuz preto, a "cadeira do Dragão", as
imagens terríveis do DOI-CODI que ficarão
para sempre. Cheiros, sensações e sons que
acompanham e acompanharão para sempre pessoas que
viveram a dura realidade da repressão militar. Tudo
isso está no filme ao lado de imagens do culto ecumênico
realizado em memória de Vlado na Catedral da Sé
(dia 31 de outubro de 1975, com a participação
de 8 mil pessoas, num protesto silencioso contra o regime),
de depoimentos importantes como as lembranças da
mulher, Clarice Herzog, no dia em que ele foi levado, ou
o de José Mindlin, explicando que o próprio
SNI analisou o currículo de Vlado antes de sua contratação
como diretor de Jornalismo da TV Cultura.
João Batista de Andrade diz que o filme é
o resgate do que ele não conseguiu filmar na época,
além de revelar com mais profundidade porque
tudo o que aconteceu continua repercutindo até hoje:"Eu
nunca me recuperei do impacto dessa perda. Nós éramos
amigos, nossos filhos brincavam juntos. Eu me sentia desarvorado,
assustado. Eu que filmava tudo, não filmei nada naquele
momento. O clima político era quase irrespirável
e eu me sentia impotente, vendo, mais uma vez, a história
desabar sobre nós com a sua força destruidora."
Os depoimentos são fortes, surpreendem e envolvem.
No documentário falam, entre outros, Clarice Herzog
e o filho Ivo, D. Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel,
Fernando Morais, José Mindlin, Ruy Ohtake, Clara
Sharf, Paulo Markun, Alberto Dines, Sérgio Gomes,
Diléia Frate, Mino Carta, João Bosco, Aldir
Blanc e Rose Nogueira, entre muitos que compartilham as
lembranças embaladas pela dor e pelo medo.
A história, a História
No dia 25 de Outubro de 1975, Vlado (o jornalista Vladmir
Herzog) acorda de manhã e despede-se da mulher, Clarice,
antes de se apresentar ao DOI-CODI, órgão
da repressão política do regime militar, para
um depoimento. Conversam, Clarice ainda expõe suas
dúvidas se ele deve apresentar-se: vários
amigos, jornalistas estão presos e sabe-se que são
torturados. Mas Vlado recusa-se a fugir, considerando que
é um homem transparente, alheio à clandestinidade
e que nada deve temer. No entanto, no fim da tarde do mesmo
dia, a família e amigos de Vlado recebem a terrível
notícia: Vlado estava morto e, segundo fonte oficial,
teria se suicidado na prisão.
A morte de Vlado deu-se num momento particularmente
tenso da vida brasileira, com o acirramento das
lutas internas entre os próprios militares, opondo,
de um lado, os generais Geisel e Golbery, no poder, e, de
outro, os setores militares comprometidos com a repressão
e que se opunham a toda idéia de abertura política.
No meio dessa guerra interna, os "duros" agem
com truculência sobre a sociedade. E como já
não há mais a guerrilha, derrotada militarmente,
voltam-se agora para aqueles que acreditavam num processo
democrático de derrota da ditadura Centenas de pessoas
são presas e torturadas, quando a sociedade julgava
que a abertura política havia começado e nada
a deteria. Entre os prisioneiros, muitos jornalistas pois
buscava-se denunciar a conivência
do Governo Federal com a subversão Entre os jornalistas,
Vladmir Herzog.
Entre o momento da apresentação de Vlado e
sua morte, o filme revela, a partir de depoimentos de amigos,
familiares, colegas que viveram com ele a história,
a amplitude das perseguições daqueles momentos,
a trajetória do jornalista, desde sua infância,
na Iugoslávia, com sua família de origem judaica,
fugindo da perseguição nazista, suas idéias
políticas, sua militância, seu senso de ética,
até sua posse como Diretor de Jornalismo na TV Cultura
de São Paulo e a perseguição iniciada
naquele momento. Acima de tudo, o horror dos porões
do regime militar, onde imperava a tortura e os assassinatos
políticos.
Diante da notícia da morte de Vlado, a reação
foi imediata, primeiro da própria Clarice, dos amigos
e depois da sociedade, exigindo a apuração
e recusando a farsa montada para a morte do jornalista.
Essa reação, unindo forças sociais
diversas e instituições importantes como a
Imprensa, a Igreja e a própria Justiça, fez
da morte de Vlado um marco na luta pela redemocratização
do país.
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