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de Carnaval Blues
Relato
de Maeva Silveira sobre as filmagens de Carnaval Blues
Voltando
para meu país de origem
Trinta pessoas do mundo inteiro estão na minha casa.
Não existe lugar ou tempo para privacidade, todos
estão procurando o ângulo perfeito. Um
jovem ator espanhol, dois diretores de fotografia poloneses,
um produtor e um editor americanos e um diretor brasileiro
gritando, brigando, rindo, dormindo, é tudo o que
vejo.
O filme é feito num bairro pobre perto do centro
do Rio, onde toda a comunidade está envolvida. Equipamentos
pesados são carregados pelas ladeiras de Santa Teresa,
enquanto pessoas simples da vizinhança abrem suas
casas e oferecem comida para os “gringos” que
trabalham do lado de fora. Acabou de chover, e a temperatura
está por volta de 30°C e eles não param
de trabalhar, até as crianças estão
trabalhando. Uma bela menina negra cujo pai foi
assassinado recentemente é a atriz principal.
Ela é linda, seu rosto expressa a dureza da sua vida,
mas seu sorriso traz coragem e força.
O filme foi feito em três línguas, inglês,
português e espanhol e portanto, a maioria das pessoas
não falava o mesmo idioma no set. O que era realmente
impressionante era o fato de que apesar das pessoas não
falarem a mesma língua, elas podiam se comunicar
e faziam isso muito bem, pois não era difícil
encontrar o cameraman que falava somente português
fazendo piada com o editor que só falava inglês.
Era maravilhoso ver o respeito e admiração
entre as pessoas de todos os tipos de origem. A
mistura de duas sociedades se dava com as empregadas
domésticas que tinham suas filhas da favela dançando
como crianças em volta de atores famosos do Brasil,
jovens dos Estados Unidos, cantores e filhos de diplomatas
ou com o jovem assistente gritando a única frase
que ele sabia em inglês, que era “Oh My God”
– em perfeita harmonia – e tudo isso era lindo
de se ver.
Voltar para o meu país de origem,
dessa vez não era como eu costumava me lembrar, mas
foi ainda melhor. Depois da minha experiência com
o filme, o que eu vi não foi apenas o meu país,
mas o de todos, um lugar onde todos lutariam e reagiriam
juntos.
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