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Histórico
A Escolha do Nome

Histórico
A
criação do Instituto BSAG teve inicio a partir
da compra, com recursos próprios, do casarão
em ruínas localizado na esquina da Rua Hermenegildo
de Barros com a Travessa Cassiano. Do antigo casarão
só a fachada restava.
Como resultado de inúmeras reformas ocorridas ao
longo do tempo, e do prolongado período sem uso,
a propriedade encontrava-se em precário estado de
conservação, com suas qualidades espaciais
e estéticas comprometidas de um modo geral e fisicamente
desabilitada para qualquer função.
No processo de mobilização de recursos, ainda
próprios, para o que pretendíamos ser a restauração
do imóvel, o convívio com os moradores da
vizinhança aconteceu naturalmente, fazendo com que
nos déssemos conta que nossa tarefa teria como objetivo
não só o espaço físico, como
também o social.
Nosso casarão, afinal e parte de uma área
histórica da cidade do Rio de janeiro, e seus atuais
moradores agentes culturais preservando as tradições
de vários grupos étnicos que formam nossa
identidade, principalmente os afro-descendentes,
Com uma equipe de operários da qual participaram
vários moradores, iniciamos não a restauração
simplesmente, mas a revitalização d a região.
Sendo assim , nossa proposta não era mais restaurar
a residência como tal , mas
mas a de adaptá-la à nova função
de espaço cultural.
A
análise conceitual e prática, nos levou a
definir os seguintes objetivos no projeto de intervenção:
-recuperar
a qualidade estética, comprometida pelas
inúmeras intervenções anteriores;
-manter
a qualidade da arquitetura do conjunto.
-executar
novas instalações e introduzir todos os recursos
técnicos necessários às atividades
do centro cultural elétricas, hidráulicas,
de telefonia de segurança, de prevenção
a incêndio, sonorização, climatização.
-transformar
espaços e construir novas edificações
para atender o novo programa de uso da edificação
e para resgatar sua qualidade estética, intervindo
no espaço com uma linguagem contemporânea,
sem destruir a harmonia do conjunto. Para isso retiramos
todas as interferências que prejudicavam a leitura
da proposta arquitetônica original.
O
BSAG faz parte do conjunto do casarão e prédios
que sobreviveram ao bota a baixo promovido no inicio do
século XX pelo prefeito Pereira Passos-a idéia
era modernizar o Rio, torná-la uma metrópole,
um arremedo de Paris, uma Europa tropical!
O
objetivo era fazer que os habitantes da Lapa e do velho
centro morassem bem longe do centro da cidade, na tentativa
de substituir o jeito de ser carioca para dar lugar a uma
cidade com modos, civilizada, moderna.
Com
a mudança da capital para Brasília, a Glória
e o Catete, -seqüência natural do antigo centro,
assistiram a mudança das famílias abastadas
para a nova capital. A ausência destes ilustres moradores,
muitos deles funcionários do governo federal, provocou
o abandono da região e conseqüente desinteresse
em seu desenvolvimento.
O
abandono acabou sendo importante fator da preservação
do que restava das antigas construções que
fazem parte da historia do Rio.
Um
Rio de janeiro de casas com sobrado, corredores compridos,
tabua corrida.
Janelões
com florões e muita gente de muitos ritmos, gritos
e gargalhadas.
[topo]

A
Escolha do Nome
No dia em que decidimos encontrar o nome apropriado para
o que seria a sede do nosso espaço, olhávamos
o casarão restaurado de fachada neoclássica
recém pintada de amarelo, quase ocre.
A escolha do nome é um desses raros momentos no qual
o tempo cronológico, que é o do eterno fazer,
nos dá uma chance, mesmo que fugaz, de desconstrui-lo
através do olhar.
Olhamos com todos os sentidos, e vimos cheiro de gente,
feijão no fogo, beiral da calçada com cadeiras
preguiçosas em longas conversas na brisa da tarde
de um Rio de Janeiro de Portugais e Áfricas.
Os nomes surgiam descritivos, como se precisássemos
conhecer melhor o que acabáramos de construir: Casarão!
Casarão amarelo! Casa Amarela! Casa da Esquina! Esquina
da Travessa... e lá íamos nós, eufóricos,
infantis, quando a memória me trouxe em urgência
a imagem de Ivaldo Bertazzo chegando a casa, em momento
de exclamação, dizer: Aqui é o alto
da Glória!
A inspiração foi súbita. O nome proposto
por inteiro, sem gaguejar, imperativo: Baixosantadoaltoglória!
Quase uma imposição para o grupo atônito.
No segundo seguinte comemorávamos o grande achado,
sem ainda saber o quanto este nome seria reafirmado, quase
a cada dia, nestes cinco anos de r-existência. Baixou
logo o saudoso Mestre Darcy, que jamais conseguiu referir-se
a casa pelo nome, mas mesmo assim elegeu o local como “a
casa do Jongo aqui em baixo", referindo-se ao alto
da Serrinha, sua primeira casa.
E mais gente foi chegando, agora dos EUA, Itália,
Inglaterra, para oficinas de teatro. E foi ensaio do Boi
Tatá, Tambor de Crioula, Abayomi, Caixeiras do Divino,
e tantos outros sons, falas e versos, que as crianças,
atraídas por tantas cores , chegaram para dançar.
E foram ficando, trabalhando a madeira com Jorge Rodrigues,
conhecendo o Jongo, jogando capoeira, aprendendo inglês,
através de trabalho voluntário de muitas pessoas.
Em fevereiro, o ator Ronnie Marruda, , foi mais um dos voluntários
do Baixo, contracenando com Namíbia Rodrigues, a
filha de Jorge e Telma Rodrigues, no filme Carnaval Blues,
uma produção internacional, no qual Namíbia
faz o personagem de nome Namíbia junto a outras crianças,
jovens e adultos da vizinhança.
Por um mês, convivemos com diferenças e criamos
parcerias. Babel de línguas e gestos, em rodas de
música tão negra.
Santos e Santas baixaram por aqui, foi a glória no
Baixo Santa!
Leila
barbosa
leila@baixosantadoaltogloria.com
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